quarta-feira, 23 de junho de 2010

A cozinha mediterrânica

Muito se tem escrito, falado e inventado sobre o que é a dieta mediterrânica. Depois fala-se de cozinha e de gastronomia mediterrânica. Eu ainda não sei bem o que estes vocábulos combinados querem dizer. Ou melhor, não entendo o porquê desta classificação quando a prática, quantas vezes, fica muito distante. Certamente pensam no efeito da publicidade sem se preocuparem com o produto que realmente vendem. E depois ainda a moda de muitos restaurantes se auto classificarem de resposta mediterrânica! Está na moda…! Mas o que é este conceito de “dieta mediterrânica”? Será possível estabelecer os elementos comuns da alimentação dos países banhados pelo Mediterrâneo? Muitas vezes esse conceito vem associados a práticas alimentares comuns nos países a norte do Mediterrâneo.
Sabemos que o conceito de “dieta mediterrânica” nasceu da constatação de que um grupo de habitantes da bacia do Mediterrânico norte tinha uma longevidade superior à de outros próximos. Estudados os hábitos de vida, e entre eles os alimentares, concluiu a investigação que a longevidade se deveria essencialmente ao tipo de alimentação praticada. Definiram-se, portanto, a partir dos anos sessenta, os elementos comuns e que se concretizaram em três produtos base: os cereais, as uvas e as azeitonas que deram os produtos alimentares, respectivamente, o pão, o vinho e o azeite. Claro que a alimentação não se resume a estes produtos e importa entender a quantidade ingerida de cada um. A alimentação reconhecida pelo estudo de Ancel Keys seria baseada em frutas e produtos hortícolas, gorduras vegetais, vinho com moderação, poucos ovos, baixo consumo de carnes vermelhas e baixo ou médio consumo de peixes e aves. Deveremos ainda assumir que a cozinha mediterrânica não é um conceito singular mas plural. Como já referi não são só os alimentos que determinam o que é a “dieta mediterrânica” mas as proporções dos mesmos no consumo. Em vez de comermos carne com acompanhamentos, deveremos comer acompanhamentos com carne.
A partir desta identificação pode estudar-se a sistematização da cozinha e identificar a evolução de outros produtos nesta vasta região. É surpreendente a quantidade e variedade de alimentos que encontramos na antiguidade, nesta região. Para além do gado, sem incluir o porco que apenas é dominante em Portugal e Espanha, existem referências aos cereais (trigo e centeio), ao azeite, ao excelente sal, ao vinho, à cerveja e ao mel, desde a antiguidade clássica greco-romana. No mesmo período, e em Portugal e Espanha (que não tinha esta designação e estavam integrados noutros reinos), temos de referir a existência de muitas frutas e legumes que ajudavam a ter um tipo de alimentação mais saudável. No capítulo de frutas encontramos figos, maçãs, ameixas, pêssegos, marmelos, alperces, tâmaras, cerejas, morangos, groselhas, framboesas, laranjas, toranjas, limões, melões e castanhas. Nos legumes e leguminosas podiam já apreciar alfaces, pepinos, cebolas, alhos, alhos-porros, urtigas, favas, lentilhas, grãos-de-bico, ervilhas e cogumelos. Naturalmente outro produto muito importante era o peixe, algumas carnes, o queijo, o vinho e o azeite. Mais tarde, e já na Idade Média, surge o arroz e posteriormente a batata em Espanha no século XVII, vinda do Peru, e em Portugal o consumo expande-se apenas no século XIX. Ainda na Idade Média surgem os picantes, designadamente a pimenta, e as especiarias cujo comércio de fazia no Mediterrâneo até os Portugueses os comercializarem por outras rotas. E ainda o açúcar de cana, o chocolate, o café e o chá.
Como podemos constatar a variedade de alimentos é surpreendente. Sabemos nós, hoje em dia, equilibrar o seu consumo para ter uma alimentação correcta e saudável? Recentemente, em discussão no Alentejo, André Magalhães dizia que “O Alentejo tem cada vez mais condições para voltar à gastronomia dos anos 1960, a chamada cozinha pobre, com vantagens nutricionais fazendo um retorno à terra”. E acrescentou que “para os chefes saberem aferir a qualidade dos produtos têm de ter uma relação directa com os produtores”. Desta forma podem assegurar a manutenção de uma economia local e a preservação dos produtos locais. Ainda no mesmo evento “Gastronomia Mediterrânica”, Hélio Loureiro afirmava também o regresso à terra e a “importância de respeitar a sazonalidade dos produtos e a biodiversidade”. Esta discussão remete-nos para duas questões fundamentais: o conceito de cozinha pobre e a utilização dos produtos locais. Será que existe uma “cozinha pobre”? Ou dispomos apenas da constatação de uma cozinha onde os legumes e leguminosas assumem um peso maior do que o chamado “isco”? E o pão como elemento de ligação e base nessa alimentação? Facilmente veremos que o que distingue esta “cozinha pobre” da “cozinha rica” é a inversão do peso da carne no conjunto da refeição. Hoje em dia a questão parece não se colocar em relação ao peixe vistas as qualidades que este elemento contém em relação ao seu valor alimentar. A segunda questão parece mais fácil de resolver mas que tem a complexidade de estar associada a educação ou mudança das mentalidades. Quantos da nova geração entende, ou reconhece, os produtos e seu consumo pela sua sazonalidade?
Bem, se de facto a “dieta mediterrânica” tem vantagens para o equilíbrio e aumento da longevidade teremos que reformular e educar as pessoas para um retorno a práticas antigas com a adaptação natural aos tempos que correm? Mas teremos nós, efectivamente, um historial alimentar identificado com a “dieta mediterrânica”? Será que a cozinha minhota é mais ou menos mediterrânica do que a algarvia? Se aceitarmos a leitura da pirâmide actual dos alimentos veremos que os princípios estabelecidos pelos “educadores” alimentares, e refiro-me em particular ao trabalho de tantos nutricionistas, é fácil verificar a coincidência com os princípios da “dieta mediterrânica”. Este termo “dieta” é pouco simpático e parece remeter-nos para comportamentos rígidos associados a uma doença. “Dieta” aqui quererá significar a composição e equilíbrio das nossas refeições. E não esquecer um alimento que é muitas vezes uma refeição completa: a sopa. Comam sopa pela vossa saúde e deixem de educar as crianças como se a sopa seja um castigo.               
A vulgaridade com que o termo “dieta, cozinha ou gastronomia mediterrânica” se propagou, e se transformou em publicidade fácil, parece ter criado muita confusão na opinião pública.
Mas volto à dúvida permanente: será Portugal um país de características de alimentação mediterrânica? Segundo um estudo recente “Portugal afasta-se cada vez mais da dieta mediterrânica”. E este facto deve-se à alimentação das camadas mais jovens que comem cada vez mais carne e menos sopa e peixe. Não se deveria fazer alertas e propagandear melhor estes conceitos? Para bem de todos.
Importante é aprender a comer com equilíbrio e de forma saudável. E com prazer, não esquecendo que a comida sabe melhor se acompanhada com vinho.
© Virgílio Nogueira Gomes

sábado, 19 de junho de 2010

3º Ciclo Conferências Memórias Literárias Guerra Colonial_25 Junho

Comparece a esta conferência dada por um AALB -  Aniceto AFONSO

domingo, 6 de junho de 2010

Site de um AAAB ....

O Virgílio Nogueira Gomes é um AALB,vive no Brasil , tem um site sobre culinária que frequentemente visito e que aconselho a visitar.
Hoje tem um artigo muito interessante e quem estiver interessado em ler é só CLICAR AQUI

sábado, 22 de maio de 2010

Maravilhoso ....

Amigos

Deixo-vos uma sugestão para visualização neste fim de semana. Lembram-se de vos ter falado de Eric Whitacre? Pois bem, o seu projecto de criar um coro virtual para interpretação de mais uma das suas peças está finalizado. Foi uma ideia que lhe surgiu no final de 2009 quando um amigo lhe enviou um video do Youtube em que uma rapariga cantava a sua peça Sleep... ocorreu-lhe então que se várias pessoas gravassem a sua voz, na totalidade das partes da obra (Soprano, Alto, Tenor e Baixo), poderia criar-se no final uma mistura de todos e assim obter um coro virtual. Para tal, lançou o repto no seu blog para que "postassem" no youtube as suas vozes cantando todos por cima de uma mesma gravação da peça, pelo grupo inglês Polyphony (para que todos tivessem o mesmo tempo, afinação, etc). O resultado foi este:


Com este incrível desfecho, Eric quis avançar para outro nível e propôs outra obra, no final de 2009, para um coro virtual ainda mais complexo: Lux aurumque. Disponibilizou as partes da partitura gratuitamente, e gravou um video para o youtube, em que ele próprio explica e dirige a sua peça (ele é um excelente maestro), podendo assim cada cantor, em sua casa, ser dirigido por ele cantando, obtendo assim todos uma interpretação precisa no tempo e na afinação (há um piano a responder ao gesto de Eric, curiosamente tocado por ele próprio após gravar o video).
Ao longo de meses centenas de cantores aceitaram o desafio e gravaram as suas vozes. Foi agora, nesta semana, que apareceu o projecto finalizado. 185 vozes seleccionadas, em 243 pistas, cantam num coro virtual assombroso.
Vale a pena ver e ouvir...

Aqui fica o link do resultado final:

... e o link do video do Eric a dirigir a sua peça:
O coro que canta no início deste video é, claro, Polyphony, dirigido por Stephen Layton. Do mesmo CD que vos mostrei num ensaio.

Espero que gostem. A música é magnífica.



PS - aqui fica o blog do Eric, em que ele explica esta e outras histórias:
By FBBC

quarta-feira, 19 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Encontro de Finalistas do ano 1962/1963


Os finalistas do Liceu de Bragança do ano 1962/1963 ,"Colheita63" , reuniram-se emViana do Castelo , nos dias 15 e 16 de Maio de 2010 , para o seu VII encontro anual . Reuniram-se pela 1ª  vez em 2004 , passados 42 anos e desde então para cá , fazem gala em realizar um encontro anual , sempre organizado por um dos seus elementos , na localidade em que reside . Este ano  o "mordomo" foi o João Mansilha e para o ano será a Teresa  Ferreira , em Aveiro , mais ou menos na mesma data .

O desafio para vós é saber quem conheceis , vamos a isso e comentai ....

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Apresentação do livro " Portugal e a grande guerra "

Conforme previsto, realizou-se ontem no Museu Militar de Lisboa, o lançamento do livro Portugal e a Grande Guerra.
O evento  teve lugar numa sala, que melhor não poderia ter sido escolhida, pois toda ela estava impregnada de História, atestando a heróica e sacrificada presença em França do Exército Português, durante o primeiro conflito mundial, que assolou a Europa no início  do Século XX.
Os autores desta obra, Coronéis Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, devem sentir-se orgulhosos de produzirem uma obra que pretende dar a conhecer, em linguagem simples e compreensível, ao público em geral, tudo o que está relacionado com a ida do nosso Corpo Expedicionário para o Teatro de Operações, a sua vivência em plena guerra e o regresso a casa. Para tal apresenta inúmeros mapas, documentos e fotografias inéditas.
A apresentação do livro foi efectuada pelo Sr. General Martins Barrento, ex-Chefe de Estado Maior do Exército e especialista em Estratégia e História Militar, que enalteceu as virtualidades do mesmo, como órgão de consulta para
estudantes do conflito em apreço.
Estiveram presentes cerca de 70 pessoas entre os quais o  General representante do Chefe do Estado Maior do Exército, o General Loureiro dos  Santos e o Coronel Vasco Lourenço, para além doutras figuras gradas dos meios académicos civis e militares.
Não  quiseram deixar de dar um forte abraço ao conterrâneo Aniceto Afonso, alguns Antigos Alunos do Liceu Nacional de Bragança .
No final foi servido um Porto de Honra, enquanto os autores autografavam os livros comprados.

Um abraço
Isaías Teles

quinta-feira, 15 de abril de 2010

1ª reunião de trabalho

Teve lugar na tarde do dia 12, numa Sala, gentilmente, cedida pela Direcção da Casa de Trás os Montes, ao Campo Pequeno, a primeira reunião de trabalho dos Órgãos Sociais da AAALB.
Os principais assuntos debatidos foram:
1- Leitura e aprovação das actas da eleição e tomada de posse;
2- Leitura e aprovação de cartas a enviar a determinadas entidades;
3- Apresentação e discussão sobre planos de actividades;
4- Apresentação de contas;
5- Apresentação do Logo, Blog e discussão sobre quotas;
6- Discussão sobre a elaboração da listagem de sócios e sua numeração.
A reunião foi presidida pelo Presidente da Assembleia Geral e nosso estimado conterrâneo, General Heitor Almendra, tendo decorrido da melhor forma, ficando desde já marcada uma próxima, para meados do mês de junho, faltando apenas concretizar o dia exacto.

Por IFFT

terça-feira, 13 de abril de 2010

Portugal e a Grande Guerra , dia 28 de Abril pelas 18 horas ...no Museu Militar

Para aumentar clicar na imagem
Do nosso contemporâneo  AALB , Aniceto Afonso , recebemos este convite que agradecemos e divulgamos para todos aqueles que queiram estar presentes.
Parabéns Aniceto.

terça-feira, 30 de março de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

Memórias...

Arrifana
(Aljezur)

Do meu blogue pessoal extraí este pequeno texto que parece apropriado ler neste período conturbado que atravessamos:

Pela vida fora fui verificando que todos nós, na vida profissional e na pessoal, precisamos de um porto seguro, onde possamos recolher, curar as “feridas de guerra” que a vida nos provoca e ganhar ânimo para continuar.

É indispensável a existência de um “porto seguro” onde repousar a "alma" e encontrar o equilíbrio necessário para podermos ultrapassar as perdas, as angústias, as rotinas, as frustrações, as roturas e os afastamentos que acontecem nas nossas vidas.

O "porto seguro" deve ser um espaço e um lugar, tranquilo, alegre, com afecto, tolerância, compreensão, cumplicidade e partilha, salpicado, aqui e ali, de alguma dor e angústia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Comentários ...

Não é próprio de ninguém escrever algo sem assinar , muito menos antigos Alunos do Liceu de Bragança no seu blogue .
Isto a propósito dum comentário , suponho eu dum antigo aluno do liceu , inquirindo se a AAALB seria de todos . 
... Estamos para ver o andamento , escrevia o anónimo .
Claro que é , tem Estatutos e estes têm que ser cumpridos.
Para a próxima assina o comentário e aparece quando quiseres , se fores antigo aluno do liceu.
Fico á espera
Administrador do blogue.

sábado, 20 de março de 2010

Desafios ....

Espero que este ponto de encontro tenha sempre muitos amigos e que muitos antigos alunos se habituem a participar. Se pudéssemos concentrar aqui as nossas memórias dos tempos do liceu já teríamos uma iniciativa compensadora. No fundo, todos procuramos essas memórias de tempos felizes, e é mais fácil chegar a elas quando convivemos com aqueles que as viveram connosco. Quando olhamos um colega de liceu não vemos alguém com a nossa idade actual – vemo-nos a todos muito jovens, com imensos sonhos e com tudo por realizar. Neste convívio é muito fácil recuar meio século e trazermos até nós as lembranças de um tempo bom. E não é fácil recusar essa sensação de regresso!
O desafio que poderíamos lançar, era este de pedir a todos que nos tragam memórias, fotografias, cartas, escritos (incluindo poesia), lembranças desse tempo em comum que guardamos para sempre.

Outro desafio importante seria o de trazermos para a Associação colegas mais novos, que frequentaram o liceu nas décadas de 80 e 90 e depois a Escola Secundária. Mas isso só vai conseguir-se se fizermos deste ponto de encontro um sítio dinâmico e atractivo.

Eu tenho esperança!

Um abraço e muitos parabéns. A “nossa casa” parece-me bem arrumada e pronta para a festa!

Aniceto Afonso

segunda-feira, 8 de março de 2010

Nascemos hoje

Foto para memória futura dos 16 antigos alunos que quiseram e estiveram presentes na escritura de constituição da nossa Associação. Por coincidência são 8 mulheres e 8 homens e foi no dia da mulher.